giomzs:

Quase imperceptível.
Um pingo de gente no meio da calçada , fazendo hora , rabiscando qualquer coisa num papel. Rasgando madrugada de novo, na espera de quem nunca veio chegar.
Cidade toda vazia, a cabeça explodindo, pessoas cheirando a desinteresse , copos cheios, cigarros acesos e almas pequenas demais. Era o que ela via por detrás da tela , por detrás do vidro , por detrás de si.
Tão perdida, a tresloucada sufocava com a corda bamba em que andou toda a vida. Em alguma hora seria engraçado imaginar o fim.
E eram tantas perguntas sem resposta alguma, eram palavras carregadas de ironia, série de desistências, um rio de frustrações. ”Pessoas de merda , is all the same shit”, estampado em letras garrafais a três porradas na parede do cérebro.
Era início de quarta, e queria poupar o que ainda restava de sanidade pro resto da semana, se contasse duas gotas no fundo era muito. E sabia.
Passava por aquele mesmo processo quando chegava em casa, metia o dedo na goela e vomitava tudo no papel.Todas aquelas letras caindo tão ácidas na beirada, formando fila, querendo sair. 
Ia vomitando verdades na direção contrária.
Uns liam três vezes ou mais tentando entender, sempre assim. 
Escrevia por não encontrar modo melhor de amenizar o enjôo que viver às vezes causava, como se fosse necessário emprestar o peito de alguém,já que a dor era muita pra caber só no seu.
Pimenta ardida nos olhos alheios, letras que saem quentes, verdades vomitadas, chame como quiser.
O que ela tinha era uma ferida aberta, daquelas que quase um mundo tem mas não faz questão de ver pra não ter que sentir. 
Já não tratava, não usava vista grossa ou pomada.
Vez ou outra passava a mão em cima, cutucava. Jogava álcool pra gritar e arder. Latejando e se sentindo viva.
( Giovanna M )

giomzs:

Quase imperceptível.

Um pingo de gente no meio da calçada , fazendo hora , rabiscando qualquer coisa num papel. Rasgando madrugada de novo, na espera de quem nunca veio chegar.

Cidade toda vazia, a cabeça explodindo, pessoas cheirando a desinteresse , copos cheios, cigarros acesos e almas pequenas demais. Era o que ela via por detrás da tela , por detrás do vidro , por detrás de si.

Tão perdida, a tresloucada sufocava com a corda bamba em que andou toda a vida. Em alguma hora seria engraçado imaginar o fim.

E eram tantas perguntas sem resposta alguma, eram palavras carregadas de ironia, série de desistências, um rio de frustrações. ”Pessoas de merda , is all the same shit”, estampado em letras garrafais a três porradas na parede do cérebro.

Era início de quarta, e queria poupar o que ainda restava de sanidade pro resto da semana, se contasse duas gotas no fundo era muito. E sabia.

Passava por aquele mesmo processo quando chegava em casa, metia o dedo na goela e vomitava tudo no papel.Todas aquelas letras caindo tão ácidas na beirada, formando fila, querendo sair. 

Ia vomitando verdades na direção contrária.

Uns liam três vezes ou mais tentando entender, sempre assim. 

Escrevia por não encontrar modo melhor de amenizar o enjôo que viver às vezes causava, como se fosse necessário emprestar o peito de alguém,já que a dor era muita pra caber só no seu.

Pimenta ardida nos olhos alheios, letras que saem quentes, verdades vomitadas, chame como quiser.

O que ela tinha era uma ferida aberta, daquelas que quase um mundo tem mas não faz questão de ver pra não ter que sentir. 

Já não tratava, não usava vista grossa ou pomada.

Vez ou outra passava a mão em cima, cutucava. Jogava álcool pra gritar e arder. Latejando e se sentindo viva.

( Giovanna M )

posted : Wednesday, March 16th, 2011

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